Deuses Japoneses

Deuses

  • Amaterasu
  • Susanoo
  • Uke mochi
  • Oh kuni nushi
  • Suku na biko, o deus anão
  • Inari, o deus do arroz
  • Os Sete Deuses da Sorte
  • Hachiman


  • A religião xintoísta está na origem de toda a mitologia japonesa. Existe uma noção fundamental nesta crença que é dada pela palavra kami. Um kami não é propriamente aquilo que os ocidentais entendem por "deus", mas é o "supremo", o "elevado", a "divindade", em um sentido muito geral. Tudo pode se tornar um kami: seres humanos, árvores, montanhas ou pedras.

    Amaterasu


    Há muitos mitos que explicam relações naturais. O Sol e a Lua, irmão e irmã, não têm uma vida fácil. No seu reino celestial, cuja estrutura é, muito curiosamente, semelhante à do Japão, estão permanentemente sentados de costas um para o outro, daqui a existência do dia e da noite. É da deusa do Sol, Amaterasu, que descende a família imperial e de todas as lendas que sobre a deusa se contam, uma das mais conhecidas é a que se refere ao seu retiro numa caverna.

    Amaterasu e Susanoo não eram propriamente amigos. As suas contribuições como deus das tempestades tinham feito com que Susanoo se tornasse uma personagem incômoda. Certa vez, foi visitar os domínios de Amaterasu, com o pretexto de pedir perdão por um anterior comportamento incorreto, mas em vez disso, soltou potros malhados nos campos de arroz da deusa, destruindo-os completamente e profanou muitos dos seus bens. Amaterasu, então, retirou-se para uma caverna e o mundo mergulhou na escuridão.

    E nunca mais saiu, até que uma outra deusa, acompanhada pelas 800 miríades de deus es menores, resolveu executar uma dança, alegre ou obscena, conforme as interpretações, do lado de fora da caverna. Ao mesmo tempo, os outros deuses faziam um barulho enorme e por fim, cheia de curiosidade, Amaterasu espreitou para fora e viu a sua imagem refletida num espelho que, entretanto, tinha sido confeccionado. Foi este o primeiro espelho, espelho que faz parte das insígnias imperiais do Japão e depois deste episódio, nunca mais a alternância do dia e da noite foi perturbada.

    Susanoo


    Susanoo não se limita a ser apenas o deus das tempestades, também lhe chamam "divindade veloz e impetuosa" ou "o macho impetuoso". Depois do episódio da caverna, foi expulso do reino celestial de Amaterasu e dirigiu-se para a província de Izumo, na costa da ilha de Honshu banhada pelo mar do Japão. Daqui, Susanoo atravessou o oceano em direção à Coréia, no continente, onde plantou florestas com os pelos da sua própria barba, é por isso que esta divindade aparece também relacionada às florestas.

    Há muitas outras lendas sobre Susanoo onde o seu papel nem sempre é negativo; uma das mais populares é a que conta como matou o dragão de oito cabeças de Izumo. Com oito taças de saquê, embriagou-o; noutra versão, o saquê tinha sido previamente envenenado. Susanoo tinha assim feito uso da sua coragem e esperteza a fim de salvar uma deusa menor, ainda jovem, cujas irmãs mais velhas tinham sido todas devoradas, uma em cada ano e durante muitos anos, pelo dragão. A heroína era a mais nova e, como era de se esperar, casou com Susanoo.

    Na cauda do dragão morto, Susanoo encontrou um sabre, o segundo elemento das insígnias imperiais. Numa altura em que não estava zangado com Amaterasu, caso bastante raro, resolveu oferecer-lho, recebendo em troca, as jóias que constituem a terceira e última insígnia do imperador. Amaterasu ainda viria a dar-lhe outras jóias, que Susanoo utilizaria depois para soltar os relâmpagos anunciadores do seu poder.

    Uke mochi


    Assim como o aparecimento das ilhas japonesas, também o aparecimento dos cereais e dos animais ligados à agricultura e à pesca possui uma origem mítica. Amaterasu enviou à Terra o irmão mais novo, o deus da Lua, para verificar se a divindade da alimentação, Uke mochi, estava cumprindo o seu dever. A fim de obsequiar este deus tão importante, Amaterasu e os seus irmãos tinham precedência sobre o resto do panteão, Uke mochi, ao mesmo tempo que olhava para as planícies, abriu a boca e dela saiu arroz já cozido. Da mesma maneira, regurgitou peixes e moluscos enquanto fixava o mar e, olhando para as colinas verdejantes, fez o mesmo com várias espécies de caça. O deus da Lua, Tsuki, não apreciou nada esta maneira original de servir um banquete e a sua fúria foi tão grande que matou o infeliz Uke mochi. Mas mesmo depois de morto, o corpo deste continuou a cumprir a sua função; da cabeça emergiram vacas e cavalos, das sobrancelhas, bichos-de-seda, o milho-miúdo brotou-lhe da testa e do estômago, nasceu uma planta do arroz. Na mais antiga das duas crônicas xintoístas, Susanoo é apresentado como o deus protagonista desta lenda, mas na crônica mais recente, o Nihongi, é o deus da Lua quem acaba por matar Uke mochi.

    Oh kuni nushi


    Susanoo tinha por genro um deus ainda novo, Oh kuni nushi, "o grande senhor das terras", que, para ter a certeza de casar com a filha de Susanoo, não encontrou método mais eficaz do que o rapto. Depois de prender o cabelo de Susanoo às vigas da casa e de roubar-lhe o sabre, o arco, as flechas e uma harpa, o casal fugiu. Ora, Susanoo que, entretanto, estava a dormir, foi acordado pelas cordas da harpa, que tocavam sozinhas enquanto Oh kuni nushi e a noiva fugiam. Sempre guiado pela música, encontrou-os; mas parece que ficou muito impressionado com a astúcia dos dois, pois não só autorizou o casamento como lhes permitiu guardar os tesouros que tinham roubado. Além disso, deu a Oh kuni nushi o governo da província de Izumo.

    Suku na biko, o deus anão


    Nas suas novas funções, Oh kuni nushi foi muito ajudado por um deus anão chamado Suku na biko, "o célebre homem baixinho". Os dois conheceram-se quando este chegou à costa de Izumo numa pequena jangada. O anão era filho da Divina Deusa das Provisões e muito estimado pelos seus dotes medicinais. Tornou-se inseparável de Oh kuni nushi; juntos curavam as doenças e cultivavam a terra em Izumo. Suku na biko morreu quando trepou em um pé de milho miúdo já maduro; o seu peso, junto ao dos grãos de milho, fez com que a planta se dobrasse e o projetasse em direção ao céu. Mas este deus baixinho ainda hoje, volta e meia, aparece para guiar as pessoas até às nascentes de água quente, coisa que não é de espantar, pois sempre foi uma personagem simpática e amável.

    Inari, o deus do arroz


    Inari, costuma ser representado sob os traços de um homem de barbas, mas parece que existe um certa confusão acerca do seu sexo, pois também pode aparecer como sendo uma deusa. A raposa é a mensageira de Inari, que, de resto, também toma, por vezes, a forma desse animal. Inari é o padroeiro dos alfagemes e, desde tempos mais recentes, de todos os mercadores em geral.

    Todos os anos, na primavera, o deus dos campos de arroz desce da sua morada nas montanhas e volta para lá no outono, fato que pode estar relacionado com a velha crença xintoísta de que as montanhas possuem espíritos ou deuses.

    Os Sete Deuses da Sorte


    Os SeHoteite Deuses da Sorte ou da boa fortuna, são muito populares no Japão. Um deles, cuja natureza budista está particularmente bem caracterizada, chama-se Hotei. Distingue-se dos outros pela sua grande barriga, que não deixa que o quimono se feche. Isto não significa que seja guloso; pelo contrário, é um símbolo da satisfação, do bom feitio e da grandeza de alma de Hotei.

    Jurojin é o deus da longevidade. Aparece sempre na companhia de um grou, uma tartaruga ou um veado, cada qual simbolizando a velhice feliz. Tem uma barba branca e, geralmente, traz uma vara ou uma bastão sagrado com um rolo de papel preso que contém a sabedoria do mundo. Jurojin gosta muito de saquê, mas sempre com moderação, nunca se embebeda. Fukurokuju

    Fukurokuju ou Fukurokujin tem uma cabeça muito comprida e estreita, e a boa sorte que representa combina a longevidade com a sabedoria. O seu corpo é tão pequeno que a cabeça é muitas vezes representada de maior tamanho do que as pernas. Não nasceu decerto no Japão, pois diz-se que, durante a vida terrena, foi filósofo e profeta chinês.

    Bishamon Para o budismo chinês, Bishamon é considerado o deus da prosperidade. Os japoneses incluíram-no grupo dos deuses da boa sorte e representam-no sempre vestindo uma armadura e trazendo uma lança. Na outra mão mostra à moda budista mais característica, um pagode em miniatura. Estes dois objetos mostram que Bishamon combina o zelo missionário com os atributos guerreiros.

    Em vez deste, no Japão, o deus da prosperidade chama-se Daikoku. Protege os camponeses e é um deusDaikoku e Ebisu alegre e bem-humorado. Traz às costas, dentro de um saco, um malho que tem o poder de satisfazer desejos exprimidos pelos mortais e costuma sentar-se em cima de dois fardos de arroz. Às vezes, podem ver-se uns ratos a comerem dos fardos de arroz, mas Daikoku é tão rico e tão bem-humorado que não se importa nada com isso.

    Ebisu, um outro deus da sorte, é um grande trabalhador e um exemplo do labor honesto. É o padroeiro dos mercadores e pescadores, mas nos seus atributos, apenas este último aspecto está representado; de fato, surge sempre acompanhado por uma vara de pesca.

    E finalmente temos Benten, a única deusa no meio do grupo. Está associada ao mar e muitos dos santuários que lheBenten são consagrados situam-se ou em ilhas ou perto do mar. Nos seus retratos ou estátuas, esta conexão revela-se muitas vezes quando a figura de Benten aparece montada ou acompanhada por uma serpente marinha ou por um dragão. Ela também representa as artes e os tipos de comportamento mais femininos. Entre todos os instrumentos musicais, prefere o biwa, um instrumento de corda cuja forma se assemelha à da mandolina. Não é portanto de estranhar que Benten surja muitas vezes relacionada com o lago que tem o nome e que faz lembrar o instrumento, o lago Biwa.

    Hachiman


    Wakamiya Hachiman é um kami identificado com o lendário imperador Ojin e mais tarde considerado um deus da guerra e uma atividade tutelar do clã guerreiro Minamoto. No período Heian, tornou-se tornou-se o centro de grande devoção e culto representado em muitos santuários. Hachiman aparece em pinturas e esculturas de várias formas, mas é mais comum vê-lo como monge. Está diretamente associado à deusa xintoísta Hime-gami (Nakatsu-hime) e é normalmente tido como uma encarnação do buda Amida.