Hermetismo


HERMES TRISMEGISTO
PAVIMENTO TALHADO POR GIOVANNI DI STEFANO NA CATEDRAL DE SIENA, SÉCULO XIV.
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SOBRE A TRADIÇÃO HERMÉTICA I
A magia ocultista ocidental revelou-se um sistema altamente sofisticado, cujas origens devem ser procuradas não na lenda e no folclore, mas na literatura hermética e gnóstica do Império Romano. Curiosamente, estes textos são apresentados, em geral, sob forma de diálogos explicativos entre deuses e deusas (tal qual na literatura tântrica), sendo que a figura central destes diálogos, é a de Hermes Trismegisto (Hermes, o três vezes grande), manifestação particular de uma divindade egpícia, helenizada e latinizada, a qual, pelo menos quatrocentos anos antes de Cristo, era identificada com Toth, o deus egípcio ligado à escrita,registro de dados sabedoria e… à Magia. Os outros personagens que aparecem nestes diálogos são Imhotep, glorificado cientista egípcio, Isis, a Grande Mãe, deusa velada dos mistérios e Tat, outra encarnação do próprio Toth. Os autores herméticos interpretavam a natureza destes deuses em dois planos: num deles, certamente inferior, estes personagens eram tratados como seres concretos. Tat, por exemplo, era visto como um ser humano, quase igual a um dos seus adoradores. Possuia, entretanto, atributos divinos, como o dom da ubiquidade, ou seja, era capaz de estar em lugares diferentes, ao mesmo tempo.Ainda assim, estava submetido a certas limitações, embora, bem mais elásticas do que as que tolhiam os humanos, com certeza, porém igualmente reais e palpáveis. Por outro lado, já num segundo nível , bem mais elevado, os deuses eram considerados como personificações dos princípios cósmicos. Eros, por exemplo era o deus do Amor, sendo todo o amor humano nada mais que mero reflexo da eterna realidade de Eros. Existem várias recopilações de textos herméticos, no entanto, a que mais profundamente afetou a Magia Ocidental foi o Corpus Hermeticum e, sobretudo, seu primeiro tratado, O Divino Pimandro. O autor relata como foi "arrebatado em espírito" e contemplou o d divino Pimandro, essência da onipotência, a quem suplicou que lhe concedesse o conhecimento direto de Deus da da natureza do Universo. Deste homem caído descende a Humanidade atual, dotada de um espírito imortal, capaz de ascender até a divindade e presa a um corpo mortal, embora, apto a alcançar a libertação da "matéria" e a união com "Deus". Este "homem", ou seja, "cada um de nós", consegue "pensar-se a si mesmo" e por isso compreende sua natureza interna, pois "o objetivo de todos os que possuem inteligêcia é se converterem em deuses". ![]() Detalhe da gravura acima |

HERMES TRISMEGISTO
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A "Tradição Hermética", no sentido que lhe foi atribuído por muitos, durante a Idade Média e o Renascimento, não se trata do velho culto egípcio e helênico de Hermes ou, apenas das doutrinas incluidas nos textos alexandrinos do Corpus Hemeticum, pois o hermetismo está também profunda e intimamente relacionado com a Tradição Alquímica, ou Hermético-Alquímica. Sob esta óptica, a Alquimia seria um ensino secreto, de natureza sapiencial mas ao mesmo tempo prática e operativa, a qual teria sido transmitida (em sua vertente ocidental) sem solução de continuidade, desde os Gregos, através dos textos preservados pelos Árabes, até certos autores, os quais podem ser encontrados mesmo ao início da Idade Moderna.
Contudo, uma explanação mais ampla sobre a Alquimia, fugiria inteiramente aos objetivos desta Página. Ainda assim, considero oportuno transcrever um trecho do hino que os "Filhos de Hermes" recitavam ao começar suas operações. De todas as invocações ou orações que tenho visto, esta sempre me pareceu a mais impressionante, pois dá uma boa idéia da capacidade de elevação espiritual destas pessoas que, naquele momento, não se sentiam apenas como "parte do Uno", mas, sem qual quer dúvida, como o próprio Uno. Veja você mesmo:
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